Prontuário odontológico digital: o que registrar, como guardar e o que a LGPD exige

Ficha escaneada em PDF não é prontuário eletrônico. Veja o que o prontuário odontológico digital precisa guardar, por quanto tempo e com que cuidado.

·7 min de leitura·por AvancerCRM Soluções Digitais

Toda clínica tem prontuário. A pergunta é onde ele está. Em muitas ainda é uma pasta de papel no arquivo da recepção, com radiografia solta dentro e anotação a caneta que só o dentista que escreveu entende. Em outras é um PDF escaneado numa pasta do computador. Nenhum dos dois é prontuário eletrônico.

O prontuário odontológico digital é o registro clínico feito direto no sistema, no momento do atendimento. Ele tem data, autor e histórico de alterações. Ele abre em qualquer computador da clínica com permissão. E ele conversa com a agenda, com o plano de tratamento e com o financeiro, em vez de ficar isolado numa gaveta.

O que o prontuário eletrônico odontológico precisa registrar

O conteúdo é o mesmo do papel. O que muda é que cada parte vira um campo que o sistema consegue buscar, somar e alertar.

  • Identificação do paciente e do responsável, quando for menor de idade.
  • Anamnese e ficha clínica: doenças, medicamentos em uso, alergias, gestação, hábitos como bruxismo.
  • Exame clínico e odontograma, com a situação de cada dente e de cada face.
  • Plano de tratamento, com o que foi proposto, o que o paciente aceitou e o valor.
  • Evolução: o que foi feito em cada consulta, por qual dentista, em que data.
  • Exames de imagem, fotos e documentos que embasam o tratamento.
  • Termos e autorizações assinados pelo paciente.

O odontograma é a parte mais visível dessa lista, e tem um artigo só para ele aqui no site, indicado no fim desta página. Este texto trata do resto: guarda, segurança, assinatura e anexos.

Por quanto tempo a clínica precisa guardar o prontuário

O prontuário pertence ao paciente, e a clínica é a responsável pela guarda. A Lei 13.787 de 2018, que trata da digitalização e do uso de sistemas informatizados para guardar prontuário, fixa o prazo mínimo de 20 anos a partir do último registro. Os conselhos de classe também têm normas próprias sobre o tema.

Na prática, 20 anos é mais tempo do que a maioria das clínicas fica no mesmo endereço, com o mesmo computador e às vezes com o mesmo sócio. É aqui que o papel e o arquivo local perdem: caixa molha na mudança, HD queima, a pasta da rede some quando o técnico formata a máquina.

Confirme as regras atualizadas com o CRO do seu estado e com o advogado da clínica. O sistema resolve onde guardar e como proteger. O que guardar e por quanto tempo é decisão da clínica, com base na norma.

Prontuário digital e LGPD

Para a LGPD, dado de saúde é dado pessoal sensível. Isso não proíbe nada, mas pede cuidado proporcional. No dia a dia da clínica, esse cuidado se resume a quatro perguntas que o sistema precisa responder bem.

Quem pode ver

A recepção precisa do cadastro e da agenda. O dentista precisa do prontuário. O financeiro precisa dos valores. Perfil de acesso por tela é o que impede que todo mundo veja tudo só porque tem login.

Quem fez o quê

Trilha de auditoria registra quem abriu, quem alterou e quando. É ela que responde a pergunta que um dia aparece: quem mudou essa anotação?

Onde os arquivos ficam

Radiografia e foto clínica não podem ficar com link público, daqueles que abrem para qualquer pessoa que receber o endereço. O certo é armazenamento privado, em que o arquivo só abre dentro da sessão de quem tem permissão.

O que acontece se o computador quebrar

Backup diário, guardado fora da clínica. Sem isso, o prontuário digital é só um jeito mais rápido de perder tudo de uma vez.

Assinatura no prontuário eletrônico

Esse é o ponto que mais gera dúvida. O registro feito no sistema, com login individual e trilha de auditoria, já identifica quem escreveu. Para que um documento eletrônico tenha a mesma força da assinatura em papel, a referência no Brasil é o certificado digital no padrão ICP-Brasil.

Muitas clínicas trabalham de forma mista: o prontuário vive no sistema, e os termos de consentimento são impressos, assinados pelo paciente e anexados digitalizados à ficha. É um caminho prático, desde que o arquivo fique no prontuário certo e não numa pasta solta.

Radiografias, fotos e anexos

Exame de imagem guardado fora do prontuário é exame que ninguém olha na hora da consulta. O dentista abre a ficha, não encontra a periapical, e decide de memória. O anexo precisa estar na mesma tela do atendimento.

Para radiografia, o visor faz diferença: zoom, brilho, contraste e negativo. Para foto clínica, o que importa é a ordem cronológica, porque o antes e depois só convence quando as datas estão certas. Para documento, importa a busca: achar o termo assinado em segundos, não em minutos.

Como migrar do papel para o digital sem parar a clínica

  1. Comece pelos pacientes novos. Todo paciente que chega a partir de hoje já nasce no sistema.
  2. Pacientes em tratamento ativo vêm em seguida, conforme forem sendo atendidos. A recepção digitaliza a ficha antiga e anexa.
  3. Arquivo morto fica para o fim, e só se fizer sentido. Pasta de quem não volta há anos pode continuar guardada no papel pelo prazo da lei.
  4. Cadastro de pacientes, procedimentos e tabela de convênio podem vir por planilha do sistema antigo. Peça uma amostra do arquivo antes de prometer prazo para a equipe.

Como é no AvancerCRM

O Prontuário Inteligente do AvancerCRM Odontológico reúne cadastro, ficha clínica, odontograma, plano de tratamento, linha do tempo do paciente e impressão. Os alertas clínicos de alergia, diabetes, gestação, bruxismo e periodontite aparecem sozinhos antes do atendimento.

Anexos e imagens ficam em armazenamento privado, com busca instantânea, e as radiografias abrem num visor com zoom, brilho, contraste e negativo. O acesso é por perfil com permissão por tela, com autenticação em dois fatores, trilha de auditoria completa, isolamento entre clínicas e backup diário. E a clínica pode exportar os próprios dados.

Perguntas frequentes

Prontuário odontológico digital tem validade legal?+

Tem, desde que garanta integridade, autoria e guarda pelo prazo exigido. Login individual, trilha de auditoria e backup são o que sustentam o registro. Para documentos que precisam de assinatura com a mesma força do papel, a referência é o certificado digital ICP-Brasil.

Posso jogar fora as fichas de papel depois de digitalizar?+

A Lei 13.787 de 2018 trata da digitalização e permite o descarte do papel em condições específicas. Antes de descartar qualquer coisa, confirme as regras com o CRO do seu estado e com o advogado da clínica.

O paciente pode pedir cópia do prontuário?+

Pode. O prontuário é do paciente, e a clínica guarda. Com o registro no sistema e a impressão pronta, a cópia sai em minutos, sem ninguém procurar pasta no arquivo.

Qual a diferença entre prontuário eletrônico e odontograma digital?+

O odontograma é uma parte do prontuário: o mapa dos dentes. O prontuário eletrônico inclui também anamnese, evolução, plano de tratamento, imagens, documentos e o histórico de quem registrou cada coisa.

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